A Coins.xyz é uma plataforma de ativos digitais que funciona, na prática, como empresa de pagamentos. Temos livro de ofertas, e por isso somos uma exchange. Mas o problema que resolvemos no dia a dia é outro: fazer dinheiro atravessar fronteiras com prazo e custo previsíveis. Usamos stablecoins como trilho e o Pix como ponta no Brasil.
Este texto conta de onde viemos, por que viemos para o Brasil, o que fazemos aqui e para quem.
De onde viemos
A história começa em 2014, nas Filipinas. A Coins.ph foi fundada naquele ano por Ron Hose e Runar Petursson, com sede em Pasig. O produto inicial era uma carteira no celular. Por ela, o usuário acessava remessas locais e internacionais, pagamento de contas e compras online, com blockchain por baixo.
O ponto de partida explica muito do nosso jeito de operar. A Coins.ph nasceu para mover dinheiro de gente e de pequenos negócios, e não para especular. A regulação veio cedo. A empresa foi a primeira do setor cripto na Ásia a ter, ao mesmo tempo, licença de moeda virtual e licença de emissora de moeda eletrônica concedidas por um banco central, o Bangko Sentral ng Pilipinas.
Em abril de 2022, a Coins.ph foi adquirida por Wei Zhou e pela Joffre Capital. Wei tem passagem pelo Goldman Sachs e foi CFO da Binance. Sob a gestão dele, a Coins.ph se consolidou como a principal plataforma cripto das Filipinas e passou a expandir para fora do país com a marca Coins.xyz. Coins.ph - 2026 Company Profile, Team, Funding & Competitors - Tracxn +2
A vocação de pagamentos continua lá. Em abril de 2026, a Coins.ph ligou sua base ao QRPh, o padrão nacional de pagamento por QR code das Filipinas. Com isso, seus usuários passaram a pagar em cerca de 700 mil terminais, e a conversão da stablecoin para peso acontece automaticamente no momento da compra. Crunchbase
Da Coins.ph à Coins.xyz
A Coins.xyz é o braço internacional da Coins.ph e opera sobretudo com pagamentos locais e internacionais em stablecoins. Somando todos os mercados, o grupo atende mais de 18 milhões de usuários. BlocknewsCoins.xyz
A expansão segue uma lógica simples. Mercados onde há muito comércio exterior e onde o dinheiro ainda demora para cruzar a fronteira são mercados onde um trilho de liquidação faz diferença. O Brasil entrou nessa lista.
Por que o Brasil
O primeiro motivo é o Pix. Poucos países têm uma ponta local de pagamentos tão madura. Em 2025, o Pix passou de 80 bilhões de transações e movimentou mais de R$ 35 trilhões, segundo o Relatório de Gestão do Pix do Banco Central. O uso também já passou das pessoas físicas para as empresas. Em valor, as transações entre empresas responderam por 47% do volume financeiro do Pix naquele ano. No fim de 2025, 12,8 milhões de pessoas jurídicas tinham enviado ou recebido pelo menos um Pix, o que corresponde a pouco mais da metade das empresas ativas.
O segundo motivo é o comércio exterior, principalmente com a Ásia. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil exportou US$ 77,07 bilhões para a China e importou US$ 51,56 bilhões de lá. Por trás desses números estão frigoríficos, tradings, indústrias e provedores de pagamento, e todos eles precisam fazer o dinheiro chegar do outro lado.
O terceiro motivo é que as empresas brasileiras já usam stablecoins para isso. No primeiro semestre de 2026, residentes no Brasil compraram no exterior US$ 14,7 bilhões em criptoativos com emissor identificado, a categoria em que o Banco Central enquadra as stablecoins. No mesmo período de 2025, tinham sido US$ 6,4 bilhões. O BC observa que a maior parte dessas compras é feita por empresas que trazem os ativos para distribuir no mercado local. A própria autoridade monetária reconhece que esses tokens servem para pagamentos, transferências internacionais e liquidação de transações, além de proteção cambial.
Pix maduro, comércio grande com a Ásia e empresas que já usam stablecoin como trilho. Foi essa combinação que nos trouxe.
Como chegamos
A Coins.xyz começou a operar no Brasil em janeiro de 2025. A primeira oferta era mais básica, de um período em que a empresa ainda enxergava o país como mercado de varejo. BlocknewsTechCripto
Com o tempo, a operação se voltou para o que o grupo sabe fazer melhor. Hoje o foco no Brasil são clientes institucionais e empresariais, com mesa OTC para conversão, infraestrutura de pagamentos internacionais conectada ao Pix e serviços de pagamento entre cripto e moeda fiduciária. Livecoins
Guilherme Bissoli, Managing Director da Coins.xyz no Brasil, resume a ambição da operação. Para ele, o produto ideal seria o Brasil pagar a China diretamente, "como se fosse um PIX". TechCripto
O que fazemos
A mesa OTC e o livro de ofertas fazem a conversão entre reais e stablecoins, em volume institucional e com suporte de mesa.
Em cima disso rodam dois produtos que costumam ser confundidos, mas que resolvem problemas diferentes.
| Off-ramp | Disbursement em BRL | |
|---|---|---|
| Quem inicia | Quem detém o ativo | A empresa pagadora |
| Como funciona | O usuário decide a hora e converte | A plataforma coordena a entrega de reais via API |
| Beneficiário final | O próprio usuário | Pode nunca ter tocado no ativo |
| Para quem | Pessoa física e PJ pequena | Empresas que pagam muitos beneficiários |
A diferença cabe numa frase: no off-ramp, o usuário empurra; no disbursement, a empresa entrega.
Como o cliente é empresa, a conta também é desenhada para tesouraria. Um exemplo é o fluxo maker-checker: um funcionário cria a ordem e outro aprova, com níveis de aprovação configuráveis. Livecoins
Para quem
Seis perfis concentram quase tudo o que fazemos:
- PSPs e fintechs de pagamento cross-border, que precisam liquidar e entregar reais no Brasil com previsibilidade e integração via API.
- Exportadores de commodity (proteína animal, agro, café, rocha ornamental), que querem encurtar o caminho entre o embarque e o dinheiro na conta.
- Importadores industriais que pagam fornecedores na Ásia e querem saber o custo total antes de pagar.
- Corretoras de câmbio, DTVMs e correspondentes, para quem somos parceiro e fornecedor de infraestrutura, e não concorrente.
- Tesourarias corporativas com receita em real e custo em dólar.
- Exportadores de serviço, como PJs de TI, agências e consultorias que faturam em moeda estrangeira.
Hoje, uma das prioridades é o corredor Brasil-Ásia. Nele, as duas pontas querem coisas complementares. O exportador brasileiro quer receber como se fosse um pagamento doméstico. O comprador lá fora precisa entregar reais aqui. Nosso trabalho fica entre as duas.
Espírito Santo é casa
Foi no Espírito Santo que fechamos, em 2026, o primeiro convênio desse formato com uma entidade do varejo, a CDL Vitória. O estado lidera a produção nacional de café conilon, e Cachoeiro de Itapemirim abriga o maior polo de rochas ornamentais do país. São duas cadeias exportadoras que conhecemos de perto, e vamos escrever bastante sobre elas aqui. Livecoins
Regulação
A Coins.xyz Digital Markets Ltda. acompanha o marco das SPSAV, definido pela Lei 14.478/2022 e pelas Resoluções BCB 519, 520 e 521, e conduz sua adequação ao regime de autorização do Banco Central.
Para quem opera cross-border, a regra conta tanto quanto a tecnologia. Sempre que uma norma mudar o dia a dia dos nossos clientes, vamos explicar o que muda na prática, sem alarme e sem interpretação jurídica. Quando a questão exigir parecer, a recomendação vai ser sempre procurar o jurídico ou um especialista.
O que vem neste blog
Aqui vamos publicar conteúdo prático para cada um desses perfis: prazo de recebimento de exportação, custo de pagar fornecedor lá fora, integração via API, gestão de caixa em dólar e mudanças de regra explicadas com calma. Cada texto fala com um leitor específico e parte de um problema que esse leitor tem de verdade.
Se a sua empresa movimenta dinheiro entre o Brasil e o exterior, fale com o nosso time.
Este texto tem um enfoque puramente educacional e não configura nenhuma indicação de investimentos ou relacionado. Dispor dinheiro ou suas finanças em qualquer forma de investimento configura um risco real e deve ser tratado com extrema seriedade.
