Digitalize para baixar o aplicativo
Coins App

Pagar fornecedor no exterior: onde o custo se esconde?

A tarifa é o que aparece na cotação. O spread, os bancos do caminho e o intervalo entre o sinal e o saldo é que decidem quanto a operação custou de verdade.

Você pediu cotação para três instituições. Uma disse que não cobra tarifa. A outra mandou uma taxa melhor no WhatsApp. No fechamento do mês, a conta não bate com nenhuma das duas.

O custo de pagar um fornecedor no exterior quase nunca está onde a cotação diz que está.

O preço da remessa não é a tarifa

A tarifa é a parte visível e costuma ser a menor. O que decide o custo é o spread: a diferença entre a taxa que a instituição fecha com você e a referência de mercado naquele instante. Ela não vem discriminada em lugar nenhum, porque não é uma cobrança, é o preço da moeda que você comprou.

Por isso comparar cotação por tarifa não diz nada. A comparação que funciona é anotar a taxa fechada e o horário exato do fechamento, e olhar a referência do mesmo horário. Faça isso por três operações seguidas e o ranking das instituições costuma mudar de ordem.

Você não paga uma vez, paga duas

Com fornecedor chinês o padrão é 30% de sinal para liberar a produção e 70% antes do embarque. Entre um pagamento e outro passam semanas.

São duas operações de câmbio, em dois dias diferentes, a duas taxas diferentes. Quem orça a importação com a taxa do dia do pedido orçou metade da operação e deixou a outra metade para o acaso. Se a margem do seu produto é apertada, essa é a variável que come a margem sem aparecer em lugar nenhum da planilha.

Do outro lado da mesma mesa, o problema é espelhado: quem exporta também descobre que o câmbio é um evento separado do embarque, e escrevemos sobre isso em por que o dinheiro da exportação demora a chegar na conta.

Os intermediários que você não contratou

Se não existe relação bancária direta entre a sua instituição e a do fornecedor, o valor passa por bancos correspondentes. Cada um pode deduzir a própria tarifa do valor em trânsito.

O sintoma é conhecido: o fornecedor avisa que recebeu menos do que a invoice pedia e cobra a diferença no próximo pedido. Você pagou duas vezes pela mesma dedução.

Isso se resolve na instrução de pagamento, não na negociação. Existe um campo que define quem arca com as tarifas do caminho: todas por sua conta, todas por conta do beneficiário, ou divididas. Pergunte qual está sendo usado por padrão nas suas remessas. Muita gente descobre que vinha mandando dividido sem saber, e que era exatamente por isso que o fornecedor reclamava.

O tempo aparece na produção, não no extrato

Entre a sua instrução e a confirmação que o fornecedor precisa para dar início à produção existem dias que ninguém contabiliza como custo. Horário de corte, fuso, análise de cada banco no caminho. Feriado bancário nos dois países, e os calendários não coincidem.

Para quem compra insumo com prazo de entrega apertado, três dias na remessa são três dias na linha. Esse custo não está na cotação de nenhuma instituição, mas é o mais caro dos que estão nesta lista.

A modalidade define risco, não preço

Antes de comparar taxa, decida como o pagamento vai acontecer. Cada modalidade coloca o risco em um lugar diferente.

ModalidadeComo funcionaQuem fica exposto
Remessa antecipadaVocê paga antes do embarqueVocê, que desembolsa sem ter a carga
Remessa direta, sem saqueO fornecedor embarca e envia os documentos, você paga depoisO fornecedor, que embarca sem ter recebido
Cobrança documentáriaOs bancos intermedeiam a troca dos documentos pelo pagamentoRisco dividido, com custo bancário maior
Carta de créditoO banco garante o pagamento contra documentos conformesMenor risco para os dois lados, maior custo e mais burocracia

Fornecedor novo e ticket alto pedem estrutura. Fornecedor de dez anos e pedido recorrente não precisam de carta de crédito, e pagar por ela é desperdício. A escolha errada custa mais do que qualquer spread.

O que perguntar em cada cotação

  • Qual foi a taxa fechada e em que horário exato?
  • Qual é a tarifa, separada da taxa?
  • Quem paga as tarifas dos bancos do caminho na minha instrução padrão?
  • Quantos correspondentes existem entre vocês e o banco do meu fornecedor?
  • Qual é o horário de corte para a ordem sair no mesmo dia útil?
  • Que comprovante o meu fornecedor recebe, e em quanto tempo?

Tributos ficam fora desta conta de propósito. O que incide depende do enquadramento da operação e do produto, e essa conversa é com a sua contabilidade e o seu despachante, não com quem te vende câmbio.

O resto é comparável, desde que você compare as mesmas coisas. Anote as seis respostas acima em três cotações e o custo real da sua operação aparece na primeira planilha.


Este texto tem um enfoque puramente educacional e não configura nenhuma indicação de investimentos ou relacionado. Dispor dinheiro ou suas finanças em qualquer forma de investimento configura um risco real e deve ser tratado com extrema seriedade.

Compartilhe este artigo

Junte-se a milhões

Comece em cripto com 5

Comece agora

Descubra mais